Nos anos 80 e até em boa parte da década de 90 era a inflação que fazia o trabalho de reduzir os custos por unidade produzida por cada trabalhador. Os salários aumentavam menos que os preços e a competitividade assim se ia garantindo sem dor, com o narcótico chamado ilusão monetária a compensar a rigidez do mercado de trabalho.
Sem inflação o que fazer? Revisões dos Códigos de Trabalho. Como já aconteceu com Durão Barroso e Bagão Félix aí está com José Sócrates e Vieira da Silva o Livro Branco das Relações Laborais a defender "Mais horas [de trabalho], menos férias e cortes nos subsídios" como titula do DN.
Nos grandes números, estas medidas significam reduzir os custos do trabalho por unidade produzida - os famosos CTUP que tanto aumentaram nos últimos anos. Em economia a realidade é mesmo dura, quando não há, não há... E sem a ilusão criada pela inflação a realidade é dura mas também crua. Quando não ajusta o preço - os salários nominais não descem -, ajusta a quantidade - trabalha-se mais horas ou fica-se sem emprego com mudanças na lei.
Flexisegurança? Pois... Talvez um dia, quando formos mais ricos.
A taxa de inflação em Maio desceu para 2,4% dos 2,7% registados em Abril. Este é o valor medido pela variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor - ou seja, por comparação entre os preços do cabaz do INE em Maio de 2007 com igual mês de 2006. Mas, quando se olha para o comportamento do "sub-cabaz" Saúde temos variações de preços próximas de 10%.
Fonte: INE, IPC em variação homóloga, 2006 a Maio de 2007
O cabaz do INE - que determina o resultado de 2,4% para a inflação - é construído tendo no cabaz produtos e serviços de saúde qe correspondem a 53,8 euros por cada mil euros. Ou seja, a saúde tem como peso na média ponderada que dá a inflação glonal 5,38%.
O que acontece se uma pessoa gastar muito mais do que isso em saúde? A sua inflação é muito mais alta. Não vou fazer contas - que exigiam hipóteses - mas registo que num comportamento oposto ao da saúde - ou seja, com preços em queda - estão os preços das telecomunicações.
Uma estrutura de despesa com elevado peso da saúde têm, por exemplo, os idosos.
Não é moda falar nisto. Mas vale a pena falar. Os idosos eram uma das classes etárias mais afectadas pela desigualdade antes da subida dos preços na saúde. As consequências desta evolução dos preços só pode agravar essa desigualdade. A pobreza nos idosos urbanos é grave e é silenciosa.
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