Porque terá a EDP comprado 0,6% do capital do BCP que está no fundo de pensões dos seus trabalhadores? A aquisição foi dia 21 de Junho a 3,95 euros (valor do fecho do mercado, menos 0,25% que no dia anterior).
Com esta operação a EDP continua a controlar 4,35% do BCP mas 2,94% directamente e 1,41% através do fundo de pensões como se pode ler aqui.
O BCP abandona a sua estratégia de expnsão por aquisições que marcou mais de 20 anos da sua história. O presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto assim o diz.
"Crescimento orgânico", sinónimo de crescer por conquista de mercado e não através da compra de outras instituições, parece uma impossibilidade num país como Portugal, onde o mercado bancário está maduro. O BES apostou nessa estratégia desde sempre e pouco cresceu se compararmos o seu percurso com o do BCP.
Fica a pergunta: Para quem vão os recursos que o BCP tinha para aplicar na sua expansão?
O V de vitória de Joe Berardo posando para as câmaras de televisão à saída da assembleia geral de accionistas do Millennium BCP é... enfim... fiquemos por "surrealista". Uma vitória ao lado de Paulo Teixeira Pinto. O mesmo Joe Berardo que com um ar distinto faz um anúncio ao American Express via BCP.
Já tínhamos antes visto Joe Berardo ser abraçado por manifestantes da CGTP à entrada da assembleia geral da PT exactamente por integrar o grupo que impediu a desblindagem dos estatutos que poderia viabilizar a OPA da Sonae. A favor da protecção das empresas na PT, contra no BCP... Qualquer político que tivesse esta incoerência de comportamento seria violentamente atacado.
Os banqueiros e líderes de bancos querem-se discretos, guardam o nosso dinheiro... Paulo Teixeira Pinto não se pode sentir lá muito bem com aquele V de vitória. Tempos muito complicados para o BCP sintetizados naquela imagem de Joe Berardo.
Jorge Jardim Gonçalves fundador do maior banco privado português enfrentou hoje a sua primeira derrota pública. Retirou a sua proposta ao perceber que a assembleia geral ia votar contra. O tempo dirá se perdeu apenas uma batalha ou a guerra. E o que fará Paulo Teixeira Pinto com esta vitória após duas derrotas, na Roménia e na OPA sobre o BPI.
Os accionistas acabaram por votar, ainda que indirectamente, contra o reforço da protecção do BCP a ofertas de compra hostis. O tempo revelará o efeito desta decisão tomada numa altura em que o Millennium BCP está mais exposto a aquisições hostis num ambiente europeu marcado por uma forte onda de concentrações.
Venceu a ilusão de ganhos fáceis de curto prazo e uma visão de mercado em que a especulação pode ser destruidora de valor. Mensagens protagonizadas por Joe Berardo.
A "ditadura dos analistas" como uma vez chamou a este tempo Rui Vilar e a que junto a "ditadura das mensagens simples" justificam que se questione o papel perverso que tem, em determinadas circunstâncias, o mercado de capitais.
O sucesso dos "private equity" - fundos privados que têm adquirido empresas cotadas em bolsa - tem sido a reacção visível à miopia que afecta as bolsas e as impede de antecipar que as estratégias que criam mais valor nem sempre são as que dão mais dinheiro a curto prazo.
Uma das propostas que vai estar segunda-feira à votação dos accionistas do Millennium BCP é o reforço da blindagem dos estatutos de dois terços para 75%. A iniciativa está aqui e é de Jorge Jardim Gonçalves. O que não é de estranhar. Está em linha com o que foi a sua actuação, bem sucedida, desde a fundação do BCP. E ajusta-se à actual fase do BCP tentando protegê-lo da violenta onda de concentrações bancárias que se está de novo a viver na Europa.
Olhar para o interesse dos accionistas que querem investimentos a longo prazo e não para ganhos de curto prazo foi sempre a grande orientação de Jardim Gonçalves, sem a qual tenho dúvidas que o BCP tivesse chegado onde está hoje. Isso custou-lhe alguns conflitos, nomeadamente com accionistas fundadores do BCP como foi Américo Amorim.
Proteger o banco de ofertas ou accionistas hostis tem sido outra das linhas de actuação de Jardim Gonçalves. Passar de 66% para 75% não protege o BCP de uma Oferta Pública de Aquisição hostil mas obriga o oferente a gastar mais dinheiro correndo mesmo assim um elevado risco de fracasso.
Claro que os estatutos mais blindados têm custos para quem olha para o curto prazo: ganha-se menos dinheiro com a especulação sobre títulos do BCP. E as acções do BCP valem menos que as de um banco com iguais características mas sem limites ao exercício do direito de voto. É natural que investidores puramente financeiros como Joe Berardo estejam contra a iniciativa de Jardim Gonçalves.
O BCP está hoje mais exposto a uma OPA hostil que antes do lançamento da Oferta sobre o BPI. Mas não é apenas esse facto que encontra racionalidade na iniciativa de Jardim Gonçalves. A Europa está a ser abalada por uma violenta onda de concentrações no sector financeiro.
No dia 20 de Maio dois bancos italianos, o Unicredit e o Capitalia anunciaram a sua fusão num negócio de 22 mil milhões de euros e criando assim uma das maiores instituições financeiras de Itália. Todos conhecemos bem a actuação proteccionista da Itália - que não é excepção no Mercado dito Único.
Ao mesmo tempo assistimos a um cerrado ataque ao holandês ABN Amro. A oferta amigável de que foi alvo por parte do Barclays - avaliada em 61,9 mil milhões de euros- poderá esta semana ter uma rival através da oferta, desta vez hostil, de um consórcio liderado pelo Royal Bank of Scotland e no qual está o Santander e o Fortis (accionista do BCP com 4,94%). E que pretendem repartir o ABN por si.
Esta era de facto a pior altura para o BCP ficar vulnerável a OPA's. E com este quadro compreende-se o que faz ainda correr Jardim Gonçalves.
Notícias em Portugal...
...e no Mundo
Blogs
Sítios