No seu habitual exercício de supervisão, o FMI elogia em geral as políticas prosseguidas pelo Governo de José Sócrates mas traça um retrato aterrador da capacidade de crescimento da economia portuguesa.
"A economia recupera finalmente" diz o FMI. Mas "a situação económica subjacente continua a ser um desafio".
E que desafio? Não é fácil de vencer e não há políticas milagrosas. A reduzção do défice público pode apenas ajudar mas não há certezas. O problema é, como sabemos, muitissimo complicado. O Fundo sintetiza bastante bem:
"Embora estejam a ser realizados progressos, o crescimento da produtividade continua
desfasado, a perda de competitividade não foi recuperada e ainda regride o processo de
convergência do rendimento com a UE. Na sua raiz, os desafios que se colocam a Portugal resultam de níveis baixos de capital humano, de investimento em I&D e de penetração de TIC mas também de deficiências no ambiente empresarial, na concorrência insuficiente nos mercados internos e na rigidez do mercado de trabalho.
Como se resolve de um dia para o outro baixos níveis de capital humano? Que por sua vez explicam, em boa parte, o baixo nível de investimento em Investigação e Desenvolvimento e de penetração das Tecnologias de Informação e Comunicação bem como as deficiências no ambiente empresarial.
O Governo pode actuar gerando mais concorrência - mas estou ainda longe de ter a certeza se é isso que está a fazer - e no mercado de trabalho - onde o Livro Branco aponta no sentido de alguma flexibilização mas que apenas pode garantir um aumento aritmético de nível na produtividade.
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