Quinta-feira, 21 de Junho de 2007

O TGV... em saldos e com Ota

De repente o TGV ficou mais barato e, apesar dos estudos que se estão a fazer, o projecto agora apresentado pela RAVE inclui a ligação à Ota. Cada vez é mais difícil fazer narrativas consistentes sobres estes grandes anúncios de grandes obras públicas.

 

Já não se vão investir 7,1 mil milhões de euros - o orçamento do Estado para a Educação é de 7 mil milhões de euros - mas "apenas" 6,5 mil milhões de euros, com um modelo de cinco parcerias público-privadas a 40 anos - sinónimo de que os contribuintes vão pagar o TGV a prestações durante 40 anos. É ainda preciso acrescentar que este valores não incluem a travessia do Tejo. E com as paragens que o modelo prevê é com grande dificuldade que conseguimos perceber como vai ter Grande Velocidade. 

 

Nestas histórias de comboios é difícil ainda compreender onde está o retorno - em tempo - dos milhões que se investiram no passado.

Publicado por Helena Garrido às 23:30
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

O estudo da CIP III... e o medo das "consequências"

Se o Governo e a CIP se concertaram na decisão dos promotores do estudo o que significa o medo das "consequências" de que o presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) fala para justificar o anonimato de alguns empresários que pagaram o dito estudo?

 

Hipóteses possíveis:

1- O medo das "consequências", de repressálias do Governo, justificou a decisão da ACP de se manter fora do estudo. Mas não de revelar que foi convidada a participar.

2- O medo de represálias do Governo justificou o encontro entre o presidente da CIP e o Governo: quiseram, os empresários, ter primeiro a benção de José Sócrates para evitar as tais "consequências".

3- O anonimato de quem passou o cheque para o estudo não tem nada a ver com medo do Governo mas sim com medo de, com o seu nome, desacreditarem o estudo. Ou seja, obterão ganhos se o aeroporto se localizar na margem sul. Como se ter intereses fosse crime. O que é grave é não serem transparentes....

 

As hipóteses apresentadas não são mutuamente exclusivas...

E podem existir mais.

Publicado por Helena Garrido às 18:31
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O estudo da CIP II... e as sombras chinesas

Quem está atrás da sombra? A entrevista feita por Paulo Ferreira do Público e Raquel Abecasis da Rádio Renascença ao presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) Rui Moreira ilumina - ainda que parcialmente - quem está atrás das sombras chinesas...

 

O primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas acertaram com o presidente da CIP quem deveriam ser os promotores do estudo de engenharia que conclui que o Campo de Tiro de Alcochete é a melhor solução, trabalho que possibilitou ao Governo solicitar o estudo do LNEC para comparar a Ota com esta nova localização... De fora fica Portela+1, defendida pela ACP que se viu obrigada a ficar fora do grupo de promotores públicos do estudo.

 

A "iniciativa empresarial"  - aquilo que para nós, simples mortais, corresponde a um sinal de vitalidade da nossa sociedade - parece afinal ser uma "iniciativa governamental". Vale a pena revisitar o que disse Marcelo Rebelo de Sousa ontem sobre o assunto. Quem é o grande ganhador com esta solução? Obviamente o Governo... que na expressão de Marcelo Rebelo de Sousa consegue um adiamento táctico.

 

No meio de tanta táctica os simples mortais do país apenas esperam que alguém estude efectivamente a melhor solução numa análise custo benefício - como Miguel Cadilhe explicava nas páginas do Expresso. Esperemo que Mário Lino passe das palavras aos actos e junte Portela+1 ao estudo do LNEC - não é só dizer que o Governo aceita qualquer estudo como afirmou hoje.

 

E que o Governo, depois de tanta táctica, decida com o critério do interesse público. Para isso é preciso que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha razão num aspecto: já está tudo decidido - será na Ota. Estes "estudos" são pagos - pelos contribuintes - para não se falar mais no novo aeroporto. O que significa que são custos, dinheiro deitado à rua.

Publicado por Helena Garrido às 17:55
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O estudo da CIP

 

Da entrevista ao Público e Rádio Rensacença do presidente da Associação Comercial do Porto Rui Moreira fixo esta parte:

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?
Não. A Associação Comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início [ver edição de ontem do PÚBLICO]. Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários - e não só, outras pessoas também - têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.
Que consequências?
Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega [da direcção da ACP] Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.
E o senhor assina por baixo?
Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.
Mas isso é um mito ou uma realidade?
Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

O que diz Rui Moreira está em linha com as justificações que têm sido dadas para o anonimato dos promotores do estudo da iniciativa da CIP que dá o Campo Tiro de Alcochete como a melhor solução para o novo aerroporto de Lisboa.

 

Medo das consequências de ter uma opinião diferente da do Governo significa uma de duas coisas bastante graves:

- Que os empresários portugueses comem à mesa do Orçamento

- Que o Governo usa o aparelho de Estado para manter o unanimismo.

 

Grande novidade... dir-me-ão. Todos fizeram isso. Pois sim. Mas a necessidade de verbalizar o que todos iam conhecendo pode revelar que a pressão do Governo está a ser excessiva, está a ultrapassar os limites habituais.

 

Num país em que a justiça tarda e algumas iniciativas governamentais parecem não ter racionalidade, estas declarações são graves. Há sinais vermelhos que se devem acender.

Publicado por Helena Garrido às 16:54
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Ota, estudos e interesses

Pertenço aos 60% das pessoas que consideram não ter informação para se pronunciar sobre a localização do novo aeroporto para Lisboa.

 

O que gostava era de confiar na escolha da Ota determinada pelos "vários" estudos, acreditar que foram feitos com independência técnica e que, de facto, como defende o ministro Mário Lino, já não há tempo para estudar mais o assunto, já não há tempo para avaliar localizações alternativas às que foram analisadas.

 

A decisão foi tomada em 2000...Há 7 anos...pelo então ministro de António Guterres, João Cravinho. Depois foi validada por Durão Barroso. Não se consegue perceber porque é que uma decisão que merecia o consenso dos dois grandes partidos de repente deixou de ser consensual. Passou muito tempo mas não o suficiente para alterar estruturalmente o país - os cursos de água, a rota das aves ou a distribuição da população e da riqueza.

 

Um dos únicos argumentos que ouvi neste louco debate é que hoje existem meios mais sofisticados para detectar melhores localizações. É assim que surge por exemplo o Poceirão... Não há tempo para avaliar?  Provavelmente. Então demonstre-se que os custos de uma reabertura do processo de decisão da Ota seriam superiores aos benefícios.

 

O Governo está apenas a mostrar com as suas intervenções caóticas que tem medo de reabrir o processo. Ou a sofrer do mal que cada vez parece mais claro: quero, posso e mando. Mais uns estudos num projecto desta dimensão não fazem mal a ninguém.

 

O que nos faz muito mal é assistir a metáforas como a "margem sul é um deserto"  como fez o ministro Mário Lino. Ou, como se lia hoje no Público, ver Vital Moreira a acusar a Lusoponte como tendo interesse neste debate...

 

Interesses há muitos e ainda bem... Uns querem o aeroporto na Ota, outros em Rio Frio, no Poceirão...O que eu quero é que o Governo, a quem cabe defender também um "interesse" mas o da sociedade, escolha o que é melhor para o país.  Convencendo-nos que assim é.

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Publicado por Helena Garrido às 20:57
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