Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

O estudo da CIP III... e o medo das "consequências"

Se o Governo e a CIP se concertaram na decisão dos promotores do estudo o que significa o medo das "consequências" de que o presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) fala para justificar o anonimato de alguns empresários que pagaram o dito estudo?

 

Hipóteses possíveis:

1- O medo das "consequências", de repressálias do Governo, justificou a decisão da ACP de se manter fora do estudo. Mas não de revelar que foi convidada a participar.

2- O medo de represálias do Governo justificou o encontro entre o presidente da CIP e o Governo: quiseram, os empresários, ter primeiro a benção de José Sócrates para evitar as tais "consequências".

3- O anonimato de quem passou o cheque para o estudo não tem nada a ver com medo do Governo mas sim com medo de, com o seu nome, desacreditarem o estudo. Ou seja, obterão ganhos se o aeroporto se localizar na margem sul. Como se ter intereses fosse crime. O que é grave é não serem transparentes....

 

As hipóteses apresentadas não são mutuamente exclusivas...

E podem existir mais.

Publicado por Helena Garrido às 18:31
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O estudo da CIP II... e as sombras chinesas

Quem está atrás da sombra? A entrevista feita por Paulo Ferreira do Público e Raquel Abecasis da Rádio Renascença ao presidente da Associação Comercial do Porto (ACP) Rui Moreira ilumina - ainda que parcialmente - quem está atrás das sombras chinesas...

 

O primeiro-ministro e o ministro das Obras Públicas acertaram com o presidente da CIP quem deveriam ser os promotores do estudo de engenharia que conclui que o Campo de Tiro de Alcochete é a melhor solução, trabalho que possibilitou ao Governo solicitar o estudo do LNEC para comparar a Ota com esta nova localização... De fora fica Portela+1, defendida pela ACP que se viu obrigada a ficar fora do grupo de promotores públicos do estudo.

 

A "iniciativa empresarial"  - aquilo que para nós, simples mortais, corresponde a um sinal de vitalidade da nossa sociedade - parece afinal ser uma "iniciativa governamental". Vale a pena revisitar o que disse Marcelo Rebelo de Sousa ontem sobre o assunto. Quem é o grande ganhador com esta solução? Obviamente o Governo... que na expressão de Marcelo Rebelo de Sousa consegue um adiamento táctico.

 

No meio de tanta táctica os simples mortais do país apenas esperam que alguém estude efectivamente a melhor solução numa análise custo benefício - como Miguel Cadilhe explicava nas páginas do Expresso. Esperemo que Mário Lino passe das palavras aos actos e junte Portela+1 ao estudo do LNEC - não é só dizer que o Governo aceita qualquer estudo como afirmou hoje.

 

E que o Governo, depois de tanta táctica, decida com o critério do interesse público. Para isso é preciso que Marcelo Rebelo de Sousa não tenha razão num aspecto: já está tudo decidido - será na Ota. Estes "estudos" são pagos - pelos contribuintes - para não se falar mais no novo aeroporto. O que significa que são custos, dinheiro deitado à rua.

Publicado por Helena Garrido às 17:55
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O estudo da CIP

 

Da entrevista ao Público e Rádio Rensacença do presidente da Associação Comercial do Porto Rui Moreira fixo esta parte:

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?
Não. A Associação Comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início [ver edição de ontem do PÚBLICO]. Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários - e não só, outras pessoas também - têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.
Que consequências?
Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega [da direcção da ACP] Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.
E o senhor assina por baixo?
Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.
Mas isso é um mito ou uma realidade?
Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

O que diz Rui Moreira está em linha com as justificações que têm sido dadas para o anonimato dos promotores do estudo da iniciativa da CIP que dá o Campo Tiro de Alcochete como a melhor solução para o novo aerroporto de Lisboa.

 

Medo das consequências de ter uma opinião diferente da do Governo significa uma de duas coisas bastante graves:

- Que os empresários portugueses comem à mesa do Orçamento

- Que o Governo usa o aparelho de Estado para manter o unanimismo.

 

Grande novidade... dir-me-ão. Todos fizeram isso. Pois sim. Mas a necessidade de verbalizar o que todos iam conhecendo pode revelar que a pressão do Governo está a ser excessiva, está a ultrapassar os limites habituais.

 

Num país em que a justiça tarda e algumas iniciativas governamentais parecem não ter racionalidade, estas declarações são graves. Há sinais vermelhos que se devem acender.

Publicado por Helena Garrido às 16:54
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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Estado polícia e amigo

Em momento de promoção, e como já é hábito aqui está o meu artigo desta semana no Diário Económico.  Um tema vasto... No país real sente-se bem que o Estado se tornou muito eficaz a cobrar impostos e está a ficar cada vez mais eficaz a controlar os nossos passos. Mas tentem ir a um centro de emprego ou tenham o azar de precisar dos serviços públicos de saúde... Não sei se está pior - em alguns sítios e para algumas pessoas, está de certeza pior na saúde... Não registou com toda a certeza os progressos do Estado polícia.

 

Vejo - talvez mal, quem sabe - cada vez mais "1984".

 

Temas:
Publicado por Helena Garrido às 21:13
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Domingo, 3 de Junho de 2007

As prioridades de Portugal na UE

O primeiro-minitro falou hoje na sua visita à Áustria sobre as prioridades da presidência portuguesa para a União Europeia (UE). No seu discurso "O Valor Acrescentado da Europa", que neste momento ainda não está no site, deefndeu a revisão dos tratados como uma dasprioridades. O caminho que começamos a ver é cada vez mais aquele que sempre foi defendido pelo actual presidente da França Sarkozy, o modelo de mini-tratado.

 

Num à margem, pelo que oiço na RTP1 o primeiro-ministro começou por afirmar que nasceu em 1957 pelo que, disse, "posso dizer que nasci com a Europa". Porque será que esta intervenção me fez lembrar a capa e o trabalho de quinta-feira da Visão sobre os políticos no divã?

 

Publicado por Helena Garrido às 21:17
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

Computador e internet... como a luz e a água

A iniciativa de disponibilizar o acesso à internet a alunos com baixos recursos, professores e trabalhadores em formação com os recursos obtidos pelo estado com as licenças para telemóveis de terceira geração anunciado ontem pelo primeiro ministo merece nota muito positiva.

 

A medida é um exemplo do que podem ser hoje as políticas públicas num pequeno país sem moeda própria. As interevenções têm de ser microecómicas e de preferência do lado da oferta.

 

Neste caso o objectivo e claro e pretende melhorar a oferta de massa cinzenta, a matéria determinante para o desenvolvimento nos dias de hoje. É uma medida que pode fazer muito pela educação e formação. Que pode acelerar o enorme progresso que temos de fazer na educação.

 

Publicado por Helena Garrido às 19:05
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

Uma semana caótica no Governo

A semana foi terrível entre hilariante e preocupante. O Governo parece armadilhado pelo disparate e paralisado na acção. Envolvido ou perdido nas redes da firmeza de Sócrates transformada em autoritarismo.

 

1. O caso do processo disciplinar ao professor Fernando Charrua por ter dito uma piada sobre o primeiro-ministro que trouxe à memória o filme a Vida dos Outros. Um jovem agente da Stasi contava uma anedota sobre Honecker - costumava, contava o jovem,  falar com o sol e à noite o sol não lhe respondeu, acabando por reagir face à insistência, dizendo 'Não vês que fugi para o Ocidente'. Ouvida a anedota, o chefe identificou-o e o resto... adivinhou-se.

 

2. O ministro da Economia garantiu que a Delphi iria criar emprego noutro sítio, foi desmentido pelo seu secretário de Estado e hoje Manuel Pinho aparece como se fosse porta voz da empresa anunciando que afinal a empresa não vai despedir.

 

3. O ministro das Obras Públicas, Mário Lino, resolveu usar uma metáfora de gosto duvidoso para reafirmar a escolha da Ota. Disse Mario Lino que a margem sul era um "deserto". Como se isso não bastasse, Almeida Santos vem afirmar que um aeroporto na margem sul era perigoso porque as pontes podiam ser... dinamitadas! Há ainda declarações de Vital Moreira a acusar indirectamente a Lusoponte de alimentar o debate sobre a localização do novo aeroporto

 

4. O novo regime de carreiras esteve envolvido em avanços e recuos sobre a data da sua entrada em vigor. O secretário de Estado da Administração Pública disse que seria em 2009 e passadas quatro horas, segundo revela o Público, já dizia que seria em 2008... Tal como o primeio-ministro tinha garantido na entrevista à RTP.

 

O que será feito do primeiro-ministro? Será que ainda lidera o Governo?

Tudo isto é em parte reflexo de uma actuação que todos nós desejando que fosse firme começou a cair na tentação autocrática. A fronteira entre firmeza e autoritarismo é muito ténue.

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Publicado por Helena Garrido às 21:58
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