Quarta-feira, 20 de Junho de 2007

Desigualdade e novo capitalismo

Ainda sobre a tendência para o agravamento da desigualdade na distribuição do rendimento num olhar restrito sobre o capitalismo WEB que sucede ao capitalismo social modelizado por Weber.

 

É muito interessante ler o artigo de hoje de Martin Wolf no Financial Times com o título "New capitalism" - alerta que me foi feito pelo director do Diário Económico, Martim Avillez Figueiredo - e estar, como estou, a ler "A Cultura do Novo Capitalismo" de Richard Sennett.

 

A globalização financeira está a mudar o mundo violentamente. E nele a gestão das empresas globais dirigidas por gestores com poder centralizado mas sem autoridade, na análise de Sennett. Gestores que têm satisfazer o actual "capital impaciente", expressão de Bennett Harrison citada por Sennett.

 

Lembro-me de uma intervenção de Rui Vilar há uns anos dizendo que as actuais empresas são geridas para os analistas que exigem resultados no curto prazo. Hoje temos mais que analistas. São investidores/capitalistas que querem resultados imediatos. Um exemplo de Sennett (pg 36): "(...)em 1965 os fundos de pensões norte-americanos detinham as acções por um período médio de 46 meses, em 2000, grande parte das carteiras desses investidores institucionais mudava de mãos, em média, todos os 3,8 meses." 

 

É muito difícil perceber o que determina o quê. Este é um tempo marcado pela revolução tecnológica, pela queda das fronteiras e pela liberalização. Vértices de um triângulo forçosamente acelerador, indutor de ansiedade, "impaciência".

 

O sector financeiro, lembra Martin Wolf, está hoje tão liberalizado como estava há um século pouco antes da I Guerra Mundial.  Vale a pena revisitar esses tempos.

Publicado por Helena Garrido às 22:15
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Saúde mais cara para pobres

A regressividade no acesso à saúde - ou seja, os pobres "pagam" mais pela saúde que os ricos -, que a subida de preços mostra estar a agravar-se é revelada como já bastante grave no já famoso estudo sobre a sustentabilidade financeira da saúde. Um relatório que o Governo insiste em manter na gaveta.

 

Ontem o relatório foi divulgado na íntegra pela TVI e está disponível no blog do jornalista Carlos Enes. Hoje podemos ler também no Jornal de Notícias. Entre os autores estão Jorge Simões e Pita Barros.

Publicado por Helena Garrido às 11:50
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Terça-feira, 19 de Junho de 2007

A desigualdade a preocupar

"Os governos devem fazer mais para ajudarem os trabalhadores a adaptarem-se à nova economia glogal", recomenda a OCDE no seu "Employement Outlook". As desigualdades na distribuição do rendimento agravaram-se nos últimos dez anos, alerta, divulgando este gráfico.

 

Com excepção da Espanha e da Irlanda, a diferença de remunerações entre os 10% que ganham mais e os 10% que ganham menos alargou-se. O caso mais grave é o da Hungria, onde essa relação passou de cerca de 4 vezes para quase 6.

 

Não são divulgados dados para Portugal o que é pena. Mas indicadores indirectos como o que mostrei aqui - com os preços da saúde a registarem um ritmo de crescimento que é três vezes superior ao da inflação global - só revelam esse agravamento.

 

Como podem os estados ajudar os trabalhadores a adaptarem-se à dita "nova economia global"? Tenho dúvidas que o possam fazer se fizermos as habituais excepções dos países nórdicos.

 

Portugal é um dos casos mais grave. Sem dinheiro nos cofres públicos nada se pode fazer para "ajudar os trabalhadores".

Publicado por Helena Garrido às 14:38
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Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

Na saúde a inflação é alta

A taxa de inflação em Maio desceu para 2,4% dos 2,7% registados em Abril. Este é o valor medido pela variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor - ou seja, por comparação entre os preços do cabaz do INE em Maio de 2007 com igual mês de 2006. Mas, quando se olha para o comportamento do "sub-cabaz" Saúde temos variações de preços próximas de 10%.

 

 Fonte: INE, IPC em variação homóloga, 2006 a Maio de 2007

O cabaz do INE - que determina o resultado de 2,4% para a inflação - é construído tendo no cabaz produtos e serviços de saúde qe correspondem a 53,8 euros por cada mil euros. Ou seja, a saúde tem como peso na média ponderada que dá a inflação glonal 5,38%. 

O que acontece se uma pessoa gastar muito mais do que isso em saúde? A sua inflação é muito mais alta. Não vou fazer contas - que exigiam hipóteses - mas registo que num comportamento oposto ao da saúde - ou seja, com preços em queda - estão os preços das telecomunicações.

Uma estrutura de despesa com elevado peso da saúde têm, por exemplo, os idosos.

Não é moda falar nisto. Mas vale a pena falar. Os idosos eram uma das classes etárias mais afectadas pela desigualdade antes da subida dos preços na saúde. As consequências desta evolução dos preços só pode agravar essa desigualdade. A pobreza nos idosos urbanos é grave e é silenciosa.

Publicado por Helena Garrido às 20:39
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