Segunda-feira, 18 de Junho de 2007

O estudo da CIP

 

Da entrevista ao Público e Rádio Rensacença do presidente da Associação Comercial do Porto Rui Moreira fixo esta parte:

 

Não acha estranho que seja um tabu saber quem financiou o estudo apresentado pela CIP?
Não. A Associação Comercial do Porto iria financiar de uma forma assumida, como estava previsto no início [ver edição de ontem do PÚBLICO]. Numa sociedade civilizada e num país desenvolvido, é impensável que quem financia um estudo destes se tenha que esconder. Infelizmente, o que acontece é que alguns empresários - e não só, outras pessoas também - têm receio de sofrer as consequências. E isso é gravíssimo.
Que consequências?
Que qualquer posição que seja entendida como hostil ao Governo possa ter consequências nas suas empresas, nos negócios e tudo mais. Que isso é um sentimento patente na sociedade portuguesa, é. O meu colega [da direcção da ACP] Paulo Rangel, que é um ilustre deputado, no discurso do dia 25 de Abril disse tudo o que tinha a dizer sobre a claustrofobia que se vive.
E o senhor assina por baixo?
Ah, completamente. Assino por baixo, completamente.
Mas isso é um mito ou uma realidade?
Não é um mito. É uma realidade. Passa-se nas empresas. Quem está ligado a este mundo associativo ou das empresas, compreende que, se uma empresa tomar determinadas atitudes que contrariem a vontade dos governantes, pode amanhã ser penalizada por isso.

 

O que diz Rui Moreira está em linha com as justificações que têm sido dadas para o anonimato dos promotores do estudo da iniciativa da CIP que dá o Campo Tiro de Alcochete como a melhor solução para o novo aerroporto de Lisboa.

 

Medo das consequências de ter uma opinião diferente da do Governo significa uma de duas coisas bastante graves:

- Que os empresários portugueses comem à mesa do Orçamento

- Que o Governo usa o aparelho de Estado para manter o unanimismo.

 

Grande novidade... dir-me-ão. Todos fizeram isso. Pois sim. Mas a necessidade de verbalizar o que todos iam conhecendo pode revelar que a pressão do Governo está a ser excessiva, está a ultrapassar os limites habituais.

 

Num país em que a justiça tarda e algumas iniciativas governamentais parecem não ter racionalidade, estas declarações são graves. Há sinais vermelhos que se devem acender.

Publicado por Helena Garrido às 16:54
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