Sábado, 26 de Maio de 2007

O reflexo do endividamento...

"Estrangeiros já detêm um terço das empresas portuguesas", lê-se hoje no Público. É um pouco mais... 34,8% do capital das empresas portuguesas pertencia a não residentes em 2006 contra 21,1% em 1997.Dados do Banco de Portugal.

 

É o efeito do endividamento. Como várias vezes alertou Miguel Beleza, e tal como acontece nas famílias, ou se reduz o nível de vida e/ou se tem de vender o património. A tendência promete continuar. E não é necessariamente negativa.

 

Se os estrangeiros trouxerem para as empresas portuguesas saber feito de tecnologia e organização a criação de riqueza aumenta e.. quem sabe?... é preciso vender menos "anéis" e até se poderá comprar outros.

Publicado por Helena Garrido às 12:16
Link do post | Comentar | Adicionar aos favoritos
2 comentários:
De DD a 29 de Maio de 2007 às 22:01
O endividamento das famílias portuguesas é uma balela que os analfabetos em economia costumam lançar para o público em geral.

Qualquer pessoa minimamente versada em economia ou finanças sabe que há o deve e o haver.

Os portugueses devem cerca de 125% do PIB nacional, mas os seus activos ultrapassam largamente os 550% do mesmo Pib .

Até porque a fatia maior do endividamento foi para a compra de casa e aí o saldo nunca é negativo, pois o comprador fica na posse de um activo que usufrui e que vale inicialmente o valor da dívida sem juros e que é amortizada ano após ano.

Repare que na Região de Lisboa e Vale do Tejo RLVT ) existiam 1.717.462 alojamentos a 31.12.2005 em 721.409 edifícios para 3.615.773 habitantes. 19,1% destes alojamentos foram construídos entre 1991 e 2001, portanto com 16 a 6 anos de amortização e, como tal, com um valor de activo superior ao do passivo.

Se eu valorizar muito por baixo cada alojamento de RLVT em 50.000 euros (10 mil contos) terei um valor activo de 85 mil milhões de euros, logo mais de metade do PIB nacional que é actualmente de ca . de 152 mil milhões de euros e muito mais que o PIB da RLVT que era à data de 62 mil milhões de euros E estou a falar de 31,2% dos 5,5 milhões de alojamento que existem em Portugal. Para além disso, devo acrescentar o valor das 452.080 empresas da RLVT que fazem parte de um universo empresarial no País de 1,1 milhões de empresas. Só no Concelho de Lisboa com 730 dependências bancárias estavam depositados 38,5 mil milhões de euros e o crédito à habitação a vencer cifrava-se em 14 mil milhões de euros, correspondente a activos imobiliários de valore muito superior.

Enfim, economia é uma ciência de observação de dados estatísticos e não de opiniões por muito válidas e honestas que sejam. Sem números não há economia. Pode haver política, filosofia, jornalismo, mas não economia.

Cumprimentos
Dsotto dos blogs
http://alutablog.blogs.sapo.pt e
http://ddblog.blogs.sapo.pt
De Helena Garrido a 29 de Maio de 2007 às 23:01
Caro DD,
Tem toda a razão. É preciso comparar os passivos com os activos. Mas é também preciso olhar para o serviço da dívida. E para o grau de liquidez dos activos - para o caso de ser preciso vender para fazer face aos encargos com a dívida.
A ausência de dados é que leva ao uso e abuso, como diz, do endividamento e não como devia ser ao peso dos encargos com a dívida no rendimento dos portugueses.
O endividamento é mesmo assim um indicador importante num quadro de aumento das taxas de juro, crescimento económico lento, subida do desemprego e mercado imobiliário com sinais de excesso de oferta.

Comentar post

Contacto

helena_garrido@sapo.pt

Entradas recentes

...

FMI: muitas medidas, pouc...

Inflação e lei laboral

O adeus a Tony Blair

Flexisegurança, Portugal ...

O preço da (in)justiça so...

O maravilhoso mundo novo

Sarkozy e a vantagem de s...

Privatização da REN com p...

E assim se cumpriu o dest...

Temas

aeroporto

automóvel

banca

bce

bcp

conjuntura

desemprego

desigualdade

edp

educação

emprego

energia

flexisegurança

governo

inflação

media

ota

saúde

semana prevista

união europeia

todas as tags

Pesquisar

 

subscrever feeds