Domingo, 8 de Julho de 2007

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Publicado por Helena Garrido às 19:30
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Quinta-feira, 28 de Junho de 2007

FMI: muitas medidas, poucos progressos

No seu habitual exercício de supervisão, o FMI elogia em geral as políticas prosseguidas pelo Governo de José Sócrates mas traça um retrato aterrador da capacidade de crescimento da economia portuguesa.

 

"A economia recupera finalmente" diz o FMI. Mas "a situação económica subjacente continua a ser um desafio".

E que desafio? Não é fácil de vencer e não há políticas milagrosas. A reduzção do défice público pode apenas ajudar mas não há certezas. O problema é, como sabemos, muitissimo complicado. O Fundo sintetiza bastante bem:

"Embora estejam a ser realizados progressos, o crescimento da produtividade continua

desfasado, a perda de competitividade não foi recuperada e ainda regride o processo de

convergência do rendimento com a UE. Na sua raiz, os desafios que se colocam a Portugal resultam de níveis baixos de capital humano, de investimento em I&D e de penetração de TIC mas também de deficiências no ambiente empresarial, na concorrência insuficiente nos mercados internos e na rigidez do mercado de trabalho.

 

Como se resolve de um dia para o outro baixos níveis de capital humano? Que por sua vez explicam, em boa parte, o baixo nível de investimento em Investigação e Desenvolvimento e de penetração das Tecnologias de Informação e Comunicação bem como as deficiências no ambiente empresarial.

 

O Governo pode actuar gerando mais concorrência - mas estou ainda longe de ter a certeza se é isso que está a fazer - e no mercado de trabalho - onde o Livro Branco aponta no sentido de alguma flexibilização mas que apenas pode garantir um aumento aritmético de nível na produtividade.

Publicado por Helena Garrido às 23:47
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Quarta-feira, 27 de Junho de 2007

Inflação e lei laboral

Nos anos 80 e até em boa parte da década de 90 era a inflação que fazia o trabalho de reduzir os custos por unidade produzida por cada trabalhador. Os salários aumentavam menos que os preços e a competitividade assim se ia garantindo sem dor, com o narcótico chamado ilusão monetária a compensar a rigidez do mercado de trabalho.

 

Sem inflação o que fazer? Revisões dos Códigos de Trabalho. Como já aconteceu com Durão Barroso e Bagão Félix aí está com José Sócrates e Vieira da Silva o Livro Branco das Relações Laborais a defender "Mais horas [de trabalho], menos férias e cortes nos subsídios" como titula do DN.

 

Nos grandes números, estas medidas significam reduzir os custos do trabalho por unidade produzida - os famosos CTUP que tanto aumentaram nos últimos anos. Em economia a realidade é mesmo dura, quando não há, não há... E sem a ilusão criada pela inflação a realidade é dura mas também crua. Quando não ajusta o preço - os salários nominais não descem -, ajusta a quantidade - trabalha-se mais horas ou fica-se sem emprego com mudanças na lei.

 

Flexisegurança? Pois... Talvez um dia, quando formos mais ricos. 

Publicado por Helena Garrido às 23:13
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O adeus a Tony Blair

Foto: The Economist

Dez anos como primeiro-ministro. Sai do número 10. O Guardian fala numa nova era. Entra Gordon Brown.

Foram anos de continuidade do trabalho iniciado pela era conservadora de Margaret Thatcher como diz o The Economist na edição de 1 de Fevereiro numa análise de Merril Stevenson:

"(...)Steady economic expansion for the past 14 years has pushed its GDP per head above that of France and Germany. Its jobless figures are the second-lowest in the European Union. Inflation has been modest, and sterling, the Achilles heel of governments from Clement Attlee's to John Major's, is if anything too strong for Britain's good.

Much of this transformation is due to a quarter-century of profound policy change at home. The Conservatives in government tamed the unions, freed financial markets and unloaded a host of state-owned enterprises. A wrenching decade resulted in a more flexible and competitive economy, though also a more unequal and less cohesive society. A Labour government under Tony Blair sensibly built on its predecessors' work but tried to combine free markets with social justice (...)"

 

Para nós um exemplo da importância da continuidade nas políticas - conservadores e trabalhistas conseguiram fazê-lo. Nós, apesar de promessas, temos grande dificuldade em não destruir o passado.

 

E mostra ainda como a globalização e o liberalismo podem trazer progresso. É verdade que a desigualdade continua a ser um problema no Reino Unido - maior que na Europa continental. Mas, com a criação de riqueza é possível, através de políticas públicas, distribuí-la. Sem criar riqueza é que nada se consegue fazer.

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Publicado por Helena Garrido às 10:55
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Flexisegurança, Portugal e a UE

Em busca do relatório europeu que estima os custos da flexisegurança para Portugal - e que infelizmente ainda não consegui encontrar- eis que visito uma Recomendação do Conselho da UE de 15 de Março de 2007 para as "orientações gerais das políticas económicas" e para a "execução das políticas de emprego". 

 

Portugal é elogiado mas também alertado. Especificamente a matéria do emprego o Conselho recomeda que:

[Portugal] "continue a modernizar a protecção do emprego, designadamente a legislação destinada a incentivar a flexibilidade e a segurança e a reduzir os elevados níveis de segmentação do mercado de trabalho."

Não me parecem conselhos criticos à aplicação da flexisegurança em Portugal.

O que se pode ler sobre o assunto noutros universos, como nos trabalhos que estão a ser realizados pela Universidade de Tilburg e que se pode ver também no EurActiv, é que cada país é um país. E que a receita da "flexisegurança" requer ingredientes como o diálogo social - sindicatos, patrões e governo -, políticas activas de emprego - o que com certeza quer dizer Centros de Emprego muito diferentes dos que temos - e aprendizagem ao longo da vida que são fundamentais para o seu sucesso.

Que é caro, é - em alguns modelos o Estado garante 90% do último salário em caso de desemprego. Mas o dinheiro pode ser a prazo o menor dos problemas.

Publicado por Helena Garrido às 00:41
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Terça-feira, 26 de Junho de 2007

O preço da (in)justiça social

Ainda que não se consiga saber exactamente qual é e onde está o estudo da Comissão Europeia aí está uma estimativa do custo da aplicação do modelo de flexisegurança a Portugal revelado pelo Jornal de Notícias. São 4,2 mil milhões de euros.

 

Políticas sociais correctas, que não estejam apenas demagogicamente a discursar sobre "privilégios", têm custos financeiros iniciais elevados. É pena que não se avaliem os benefícios a prazo, numa óptica não apenas contabilística mas económica - o que significa avaliar efeitos em indicadores de desenvolvimento.

 

Uma avaliação que valia a pena, mesmo sabendo que Portugal, com o que esbanja em algumas áreas de retorno muito duvidoso, dificilmente terá dinheiro para aplicar políticas de flexisegurança. Mas é mais fácil sermos todos uma espécie de contabilistas.

Publicado por Helena Garrido às 13:47
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

O maravilhoso mundo novo

As maravilhas que podem acontecer na comunicação que se pode ver na Pura Economia. Um novo mundo no ensino, como diz João Aldeia, mas também nos media - que potencialidades para a informação simples, clara, directa e concisa...

 

Não sou tão pessimista... Poderemos ser substituídos por "meninas simpáticas e com grande poder comunicativo" como admite João Aldeia. Mas será preciso sempre alguém como Hans Rosling que soube construir a narrativa, que sabe o que está a dizer. Uma história espectacularmente bem contada que atira para a pré-história os PPP ou a "Punta Poderosa", como dizem os espanhóis

Publicado por Helena Garrido às 15:31
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Sarkozy e a vantagem de ser de direita

Nicolas Sarkozy tem sido uma voz critica do BCE memso depois de ter ganho as eleições. Nestas afirmações a sua preocupação centra-se na valorização do euro:

 

 Je demande qu'on fasse avec l'euro ce que font les Américains avec le dollar, les Chinois avec le yuan, les Japonais avec le yen, les Anglais avec la livre", à savoir rééquilibrer les forces en faveur des productions faites dans la zone euro, a déclaré Nicolas Sarkozy.

"Comment nos industriels peuvent-ils être encore compétitifs si le dollar se dévalue de 34% par rapport à l'euro ? Est-ce que nous avons fait la deuxième monnaie du monde pour ne pas s'en servir ?", s'est-il interrogé.

Pode ser lido aqui

 

O euro tem-se valorizado significativamente face ao dólar e esta tendência tem condições para se manter - o BCE continua a dar sinais de que vai aumentar as taxas de juro e a Reserva Federal parece estar a dizer que as vai baixar. E afinal há muito que se diz que o dólar deveria cair, tendo como referência o défice externo dos EUA.

 

Vamos ver se nesta revisão dos tratados se entra nos domínios do estatuto do BCE. Sarkozy tem a vantagem de ser de direita, suspeito, por isso, de ser amigo do mercado e favorável à defesa da inflação baixa.Tem mais margem para criticar o BCE que a esquerda. Mas de criticar a mudar a sregras do jogo vai um grande passo... O passo de os alemães perderem o medo de terem trocado o seu marco por uma moeda fraca. A seguir com atenção.

Publicado por Helena Garrido às 00:01
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Domingo, 24 de Junho de 2007

Privatização da REN com prospecto

Já se pode ler na CMVM o prospecto da Oferta Pública de Venda da REN. Terá como limite máximo 80 milhões de acções, equivalentes a 15% do capital, sendo 10% da Parpública e 5% da EDP. O preço vai variar entre 2,35 e 2,75 euros e será fixado no dia do apuramento dos resultados a 9 de Julho. O período de subscrição começa esta segunda-feira, 25 de Junho e termina a 6 de Julho.
Publicado por Helena Garrido às 23:34
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E assim se cumpriu o destino na UE

  

Foi a capa do "The Economist" na semana de 21 a 27 de Junho de 2003. "Lamentável trabalho", assim era classificada a proposta para uma Constituição Europeia.

 

Exactamente quatro anos depois, os líderes europeus em Bruxelas, sob a presidência da Alemanha, deitam a mal nascida Constituição para o lixo.

 

O único salto que a UE consegiu dar foi o euro e continuará a ser o euro.  Num enquadramento muito especial.

 

Em Bruxelas agora deu vários passos atrás para conseguir dar um em frente... talvez em Lisboa.

Publicado por Helena Garrido às 18:43
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helena_garrido@sapo.pt

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